O passado: quando o tempo era sinônimo de excelência:
Para entender essa dinâmica, precisamos olhar para o passado. Antigamente, especialmente no período pós-Segunda Guerra Mundial, a escassez de empregos fazia com que os profissionais se agarrassem às oportunidades com "unhas e dentes" para garantir suas necessidades básicas, como alimento, teto e segurança. Nessa época, as pessoas eram extremamente comprometidas e se doavam ao máximo para o trabalho. Fazia total sentido promover por tempo de casa, pois a permanência contínua significava que o profissional entendia mais do negócio, entregava resultados com maior qualidade, se capacitava constantemente para oferecer um serviço melhor e possuía um forte alinhamento com os clientes. Era uma via de mão dupla óbvia: o profissional entregava dedicação extrema e a empresa retribuía.
A mudança cultural no mercado de trabalho:
Hoje, a realidade é bem diferente. Vivemos um momento cultural em que o comprometimento mudou de figura, e é comum ver profissionais trocando de emprego por diferenças salariais muito pequenas, muitas vezes sem pensar duas vezes antes de pedir demissão. Embora existam excelentes talentos que se destacam nas novas gerações, a antiga via de mão dupla já não é uma regra automática. Em muitas organizações atuais, é possível ter centenas de colaboradores e perceber que nem 50% deles entregam os resultados que a empresa realmente precisa. Diante disso, premiar apenas pela presença tornou-se obsoleto. Um exemplo clássico dessa mentalidade ultrapassada é o pagamento de "prêmio de assiduidade", que basicamente recompensa o funcionário apenas por cumprir a jornada de trabalho que ele já assinou em contrato e tem a obrigação de fazer.
O risco do salário igual para entregas desiguais:
Imagine o seguinte cenário na sua empresa: você tem dois profissionais exercendo praticamente a mesma função.
• O Profissional A é altamente comprometido, busca capacitação constante (como aprender sobre inteligências artificiais que estão em alta), traz inovações e novos conhecimentos para a empresa sem ser solicitado e entrega resultados de alta qualidade sempre no prazo ou até antes do esperado.
• O Profissional B, por sua vez, mantém-se em uma linha mediana, não busca se atualizar e entrega resultados com pequenos erros e um pouco fora do prazo.
Por que esses dois profissionais deveriam receber exatamente o mesmo salário e as mesmas oportunidades apenas porque têm o mesmo tempo de empresa?
É aqui que o modelo antigo atinge em cheio o engajamento dos talentos. Se o Profissional A, que "veste a camisa" e se dedica intensamente, percebe que o Profissional B, que quase não entrega resultados, ganha o mesmo salário, a tendência é que a sua motivação e o seu nível de energia despenquem. O pensamento lógico passa a ser: "Estou entregando tudo de mim, esperando um reconhecimento há anos, e não tenho nada. Quer saber? Vou fazer igual ao colega ali que está encostado". Como resultado direto, o rendimento geral da sua equipe cai.
A Solução: Meritocracia e um Plano de Cargos e Salários
Para evitar a desmotivação dos seus melhores talentos, a nova gestão corporativa deve focar na meritocracia. Hoje, as organizações têm a possibilidade e as ferramentas para pagar salários diferentes de forma estruturada e justa, utilizando avaliação de desempenho, bonificações e, fundamentalmente, um Plano de Cargos, Carreiras e Salários.
Essa estrutura permite aplicar a gestão por meritocracia com um alto senso de justiça e transparência. Ao invés de basear o crescimento profissional apenas nas folhas do calendário, você passa a reconhecer financeiramente os colaboradores que realmente merecem devido ao seu comprometimento, proatividade e qualidade das entregas.
A implementação de um plano de cargos e salários bem estruturado é a chave para trazer de volta o "gás" e a motivação da sua equipe. Ao abandonar a promoção apenas por tempo de casa, você garante a valorização e a retenção daqueles profissionais que verdadeiramente impulsionam o seu negócio para frente.
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Promoção por Tempo de Casa
A promoção por tempo de casa é um tema que frequentemente ressurge quando as empresas decidem implementar um plano de cargos e salários. Mas será que essa prática ainda faz sentido no cenário corporativo atual ou ela está, na verdade, destruindo a motivação dos seus melhores talentos?

